Mostrando postagens com marcador Esmeralda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Esmeralda. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, outubro 18, 2013

Cigana Esmeralda

CIGANA ESMERALDA



SUA ORIGEM E HISTÓRIA DE SUA VIDA   
    Esta cigana é natural de Évora/Portugal, viajou por toda a Europa. De
grupo kalon, desde cedo foi preparada para ser uma grande cozinheira.
Esmeralda era curiosa e observadora, assim começou a fazer feitiços
com as comidas e ganhar fama na época. Era autoritária e corajosa,
menina ainda, já contava com clientela abastada. Sua  ligação com a
alquimia de preparar os alimentos foi causa de muita alegria, e por
despertar muita inveja, foi também um dissabor em sua vida. Esmeralda
levava uma vida romhá autêntica.Viajando, apurando sabores,
trabalhando muito. Não foi muito feliz no amor, por que a obrigação
com as  pessoas vinha em primeiro lugar, ficou viúva cedo, seu marido
embora tivesse sido um bom homem, Esmeralda se adaptou sem ele. Um dia
quando chegava em Évora após uma longa temporada na Europa, soube que
o reino de Portugal colocaria em  vigor algumas leis que coibiria os
ciganos de viverem no país. Ela ficou assustada, pois apesar de ser
uma filha do vento e das estrelas, ela gostava imensamente de Évora.
Para os kalons, um lugar encantado, apesar dos verões quentes com
noites gélidas. Neste tempo Esmeralda já contava com mais de meio
século de vida, cozinheira de mão cheia, doceira com encomendas até de
nobres. A feiticeira afamada era quase uma lenda, na época viver 50
anos era um milagre e ela era considerada muito idosa, apesar de gozar
de boa saúde. Era uma phuri daj (mulher sábia de grande influência), e
devido às perseguições que faziam contra a romhá, aconselhou todos a
saírem em direção à Catalunha na Espanha. Porém como era muito teimosa
ela mesma não foi, resolveu ficar. Neste tempo o trabalho já ficava
escasso, e  ela vivia praticamente na miséria, contando com a bondade
de alguns clientes antigos e abastados. Porém quando o reino começou a
ter mais rigidez nas perseguições, as pessoas não queriam ir contra as
leis impostas pelo reino e ficaram com medo de ajudar aos ciganos que
ficaram em Évora. Assim vivia Esmeralda sob o sol e a luz da lua,
teimosa, rota, mandona, a fome apertava, e ela resistia. Teve vezes em
que foi alimentada pelos próprios soldados do reino, por pena, mais
ela havia resolvido ir até o fim. Ela considerava Évora como a sua
terra, a terra prometida, a terra derradeira, veio dali e ia retornar
ao mundo espiritual também naqueles ares. Demorou 45 dias passando
fome, para que Esmeralda deixasse o corpo, na hora em que aconteceu, o
céu azul foi invadido por uma leve brisa, logo começou uma chuva fina
e prateada no meio do dia. A romhá que estava na Catalunha, ficou
sabendo pelas lâminas o que havia acontecido.  E nas lâminas ela
também falava: - Não foi por teimosia, nem pirraça, recebi esta ordem
de Diuela, para ficar e mostrar para Évora, que os ciganos fazem parte
de Portugal, assim como Portugal faz parte dos gitanos. Anos depois
quando os seus puderam voltar a Évora, começaram a evocar Esmeralda
para ajudar na fartura de alimentos, sempre atendidos, fizeram-na a
Marpurí (sacerdotiza) protetora da fartura de alimentos e feiticeira
de comida.

Por Ramona Torres

sábado, agosto 25, 2012

Esmeralda

Ainda havia cinzas da fogueira no acampamento. O sol entrava, num pequeno raio, pela janela da tenda de Esmeralda, que ainda dormia. Os panos coloridos da tenda balançavam ao sabor da brisa que soprava. O acampamento acordava devagar. No ar, o cheiro forte do café tropeiro, que só Zaíra sabe fazer. De repente, o grito de Yan, chamando:
- Esmeralda, acorda, faz-te linda e vai ao povoado para a leitura de mãos, e não te demores, olhando o mercado como das outras vezes.
- Esmeralda, vamos acorda!
Esmeralda espreguiçou-se lentamente, abriu os grandes olhos verdes, e saiu dos lençóis, pensando: "Que pena, ainda estou tão cansada, dancei muito ontem, mas é minha obrigação, vou ao povoado e antes do sol esquentar muito, voltarei."
Foi até um riacho, lavou o rosto, voltou saltitante para tenda e olhou-se no espelho. Colocou no cabelo uma rosa vermelha, sentiu-se bem e pensou: "como é linda a vida". Saiu da tenda.
- Nani, onde está meu café?
- Aqui está, tome e obedeça seu pai! E lá se foi a cigana na garupa do cavalo de Mikhael, seu prometido, até o povoado.
Por onde passava, todos se voltavam para vê-la. É linda!
No mercado, começava a lida de um novo dia.
- Flores, cigana? - Pensando nas palavras do pai, lá se foi ela.
- Olhem, vamos ver a sorte?
Homens e mulheres paravam pra escutar o que lhes diria a cigana, e ela sorria matreira, escondendo nos seios a féria do dia.
No terceiro dia de ida ao vilarejo, Esmeralda avistou um rapaz sentado, em frente ao mercado. Foi até lá e perguntou: - Moço, deixa eu ler a sua mão? O que terá sua sorte reservado pra você?
- Não cigana, não acredito em sorte. Olhando pra Esmeralda, com os olhos pregados na beleza da cigana, sem sentir, estendeu as mãos para ela, que começou logo a leitura.
- Olha moço, vejo um amor que vai te fazer chorar. Faça tudo pra evitar esse amor, pois ele será impossível. Não sofras por amor, segura os impulsos do teu coração.
Deu-lhe um lindo sorriso e saiu.
Foi andando e olhava pra trás, onde o moço continuava sentado, estarrecido com a beleza da cigana. Passaram-se três dias, e Esmeralda não retornou ao vilarejo.
Exausto de esperar pela cigana, e já perdido de paixão, o moço resolveu procurá-la. Foi perguntando daqui e dali, e soube do acampamento. Esperou anoitecer e foi até lá.
Ficou encantado, parecia um sonho: panos coloridos, lanternas de várias cores...Escondido onde estava, escutava as palmas, o violino de Igor e via Esmeralda em volta da fogueira dançando com Yunesco, seu irmão de leite. A noite estava linda, estrelas no céu, e o cheiro do assado estava no ar.
De repente, alguém viu o rapaz, e perguntou: - O que faz aqui? Hoje, não teremos convidados. A noite é só nossa.
- Por favor, deixe-me vê-la dançar!
- Não, hoje, não! Quem sabe outra noite, vá embora!
Muito a contragosto o rapaz partiu.
Não lhe saía da cabeça o sorriso e o encanto da cigana. "Meu Deus, o que faço agora?"
E olhando a mão, pensou: "Ela me avisou, porque não a ouvi?"
Começou a chover uma chuvinha miúda e irritante e o coração do rapaz se apertava. Quando chegou ao acampamento, a chuva apertava. Ficou boquiaberto, não existia nem rastro dos ciganos. Só as garrafas pelo chão e uma fogueira no fim, de onde saía uma fumaça fina e ondulante, com o vento, que lhe espanava no rosto um pouco da chuva e das lágrimas.
Esmeralda e seu povo se foram para onde, para quê?
E o rapaz, desesperado, chorava seu amor impossível, perdido, como havia previsto a cigana.


*Sally Edwirges Esmeralda Liechocki